segunda-feira, 30 de junho de 2008

AFINIDADE



A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.



A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.

Texto de Artur da Távola

sexta-feira, 27 de junho de 2008

NOS UNE LA AMISTAD



A Ana Cristina, do blog “Ouvir Estrelas” , em seu post de 05.06.2008, outorgou ao meu blog o selo “NOS UNE LA AMISTAD", o que me deixou muito feliz.

A finalidade desse procedimento é promover maior integração entre os blogs.

Repasso agora essa distinção aos cinco blogs abaixo, que fazem parte da minha lista de “Blogs Amigos”:

1-Gritos Verticais, do André Luis
2-Natureza Poética, da Rita
3-Fases da Lua Cheia , da Greentea
4-Pitanga Doce, da Pitanga Doce
5-Compartilhando as Letras, da Sonia

Espero que gostem!Peguem o selo acima e façam uma postagem repassando o selo para cinco blogs amigos.Obrigada.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

MEU PRIMEIRO MEME



Meme é um termo cunhado pelo cientista Richard Dawkins em 1976 para explicar a propagação e evolução de idéias ao longo do tempo.
Os memes podem ser idéias, ou parte delas, línguas, cores, desenhos, sons, valores morais ou sociais.Para os blogs, os memes são discussões que envolvem vários blogs e se auto-relacionam, ou seja, significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista.

Recebi da Rita do Alma de Poesia "o meme do livro".Esse meme consiste em fazer uma busca em um livro:

1- Pegue o livro mais próximo, com mais de 161 páginas.
2- Abra o livro na página 161.
3- Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4- Transcreva na íntegra para o seu blog a frase encontrada.
5- Passe o desafio a cinco blogs.

Pois bem, então vamos lá.O livro mais próximo com mais de 161 páginas é:

A DITADURA ENVERGONHADA - As ilusões armadas - Elio Gaspari



A 5ª frase completa da página 161:

"No final da ditadura quase todos os oficiais que Golbery levara para o Serviço já haviam brigado com ele ( ou Golbery com eles)."

Agora repasso o meme para os blogs:

1-Compartilhando as Letras, da Sonia Regly

2-Jardim de Versos e Prosas, da Guida Linhares

3-A casa do Zé Carlos, do José Carlos Manzano

4-Raiz de Cem, do André

5-Ouvir Estrelas, da Ana Cristina


Espero que gostem e se divirtam com o meme do livro.Obrigada pela participação!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

UMA VELA PELO TIBET



Nós vamos acender uma vela pelo Tibet porque o Tibet tornou-se um símbolo de liberdade.Um símbolo que representa o direito de qualquer ser humano à auto-determinação, liberdade de expressão, pensamento, consciência e religião.

Junte-se à maior manifestação pelo Tibet

Quinta-feira 7 de Agosto de 2008, na noite anterior ao início dos Jogos Olímpicos.

Participe em "Uma vela na minha janela - pelo Tibet"
http://www.candle4tibet.org/

Acenda uma vela pelo Tibet na sua casa, no seu trabalho ou num lugar público.

Você não estará sozinho. Milhões de pessoas em todo o mundo estarão nesta mesma oração pela liberdade e esperança.

E as nossas velas serão vistas por milhões na televisão em todo o mundo no dia da abertura das olimpíadas. O Tibet não será esquecido.
Junte-se a http://www.candle4tibet.org/ hoje e convide todos os seus amigos.

Nós vamos conseguir. O mundo estará observando.

Por favor, passe este texto para todas as pessoas que possa contatar.

terça-feira, 3 de junho de 2008