terça-feira, 22 de abril de 2008

EROS E PSIQUÉ - UMA HISTÓRIA DE AMOR



Foi o poeta latino Lúcio Apuleio (125-170d.C.) quem compôs pela primeira vez a estória de amor entre Eros e Psique. Seu relato busca raízes na mitologia e revela o cerne da doutrina platônica, ensinando-nos que a alma só pode ser feliz quando transformada pelo amor. Amplamente difundida, a versão de Apuleio tem servido pelos séculos como fonte de inspiração a escultores, pintores, literatos e músicos que imortalizam Eros e Psique em suas Obras.

EROS E PSIQUÉ

Um rei e uma rainha tinham três filhas.As duas mais velhas, embora bonitas, não despertavam nos homens a paixão arrebatadora que lhes causava Psique, a princesa mais jovem, dotada de descomunal beleza.
Julgando-se incapazes de pedi-la em casamento, por considerá-la divina, os homens passaram a fazer-lhe oferendas, com o que se esvaziaram os templos consagrados a Afrodite.Menosprezada, a deusa em sua cólera resolve castigar a pobre mortal, e ordena a seu filho Eros que a atinja com uma de suas flechas, de modo a fazer com que sua rival se apaixonasse por algum monstro.

Temeroso da ira divina, o casal se antecipara consultando o Oráculo de Apolo em Mileto. O vaticínio fora claro: deviam abandonar a princesa à beira de certo penhasco, de onde ela seria levada por uma terrível criatura. Resignados, os reis cumprem sua pena.

Mas Eros, que havia se apaixonado por Psique à primeira vista, dera ordens a Zéfiro, o vento, para que este arrebatasse a moça e a deixasse salva em seu palácio secreto, sem luzes, todo feito de ouro, prata, cedro e marfim.

Naquela mesma noite Eros se apresenta à princesa, faz dela sua mulher, mas a proíbe terminantemente de ver sua face, e promete voltar visitá-la todas as noites, sempre coberto pela escuridão. Psique passa a viver seus dias sozinha, cercada apenas por uma multidão de Vozes que lhe atendiam todos os desejos.

Mas a deusa Fama, cujo nome grego significa "divulgar", revela às irmãs de Psique onde ela se encontra, e ambas resolvem visitá-la.

Eros, em seu pressentimento adverte Psique de que alguma desgraça adviria por intermédio de suas irmãs, mas a esposa, saudosa demais, consegue convencê-lo a recebê-las no palácio. Eros cede, mas exige que Psique renove a promessa de nunca desejar ver seu rosto, mesmo que as irmãs a convençam do contrário.
O encontro a princípio foi só deslumbramento, mas aos poucos a inveja das irmãs preteridas pelo destino se transforma em desejo de vingança.

Numa segunda visita, estando Psique grávida, as irmãs passam a envenená-la dizendo que seu marido não poderia nunca ser um homem, senão uma serpente de mil anéis que apenas esperava pelo oportuno momento para devorá-la junto com a criança concebida em seu ventre.
Dão a ela uma lâmpada a óleo e uma adaga, e insistem para que à noite, depois de se amarem, tão logo o marido dormisse, ela iluminasse sua face e o matasse caso constatasse estar deitando com um monstro.

Angustiada, Psique segue à risca os terríveis conselhos. Com a adaga numa das mãos e a lâmpada na outra, aproxima-se e ilumina o rosto de seu amor.

Hipnotizada diante de divina beleza, treme e cai de joelhos, ferindo-se numa flecha do marido guardada ao lado do leito, ao mesmo tempo que derrama óleo quente sobre o ombro do amado.

Com um grito de dor, Eros acorda e seu semblante se entristece; sem dizer palavra, sobe e desaparece nas nuvens, separando-se de Psique, agora mais do que nunca ferida pela paixão eterna.

Eros retorna para junto de Afrodite, para que esta lhe curasse sua ferida.
A deusa descobre então que vinha sendo traída pelo filho e se enfurece.

Psique, por sua vez, procurando resgatar o amor perdido, oferece-se como escrava de Afrodite. A deusa, disposta a humilhá-la, promete-lhe seu filho em troca de quatro tarefas impossíveis.

Primeiramente pede-lhe que separe por espécie numa só noite uma enorme quantidade de grãos de trigo, cevada, milho, lentilhas, favas etc... Ajudada por um batalhão de formigas, Psique consegue o feito.
Irritada, Afrodite pede a Psique que lhe traga flocos de lã de ouro de ovelhas selvagens venenosas.
Um caniço verde lhe sopra o que fazer, ensinando-a colher a lã ao entardecer, quando as ovelhas se amansavam num regato em meio aos arbustos; e Psique poderia colher os flocos presos em seus galhos.
Terceira tarefa: buscar água da nascente do Estige, no alto de um rochedo guardado por terríveis dragões. Desta vez será uma águia quem virá em sua ajuda, colhendo para ela uma jarra dessa fonte.

Afrodite quase enlouquece, e cobra-lhe um último castigo. Exige que entre no Hades, reino dos mortos, para que fosse buscar com Perséfone uma caixinha com o pó da juventude.

Uma torre aconselha Psique quanto às armadilhas do percurso, e Psique cumpre bem sua perigosa viagem.
Recebe em suas mãos a encomenda, mas já no caminho de volta, não resistindo à idéia de experimentar o pó mágico com o qual ficaria eternamente bela para Eros, abre a caixa, aspira seu conteúdo vazio; e desmaia para sempre num sono profundo.

Eros se aproxima de sua bela adormecida, guarda o sono de novo na caixa, e desperta Psique para levá-la consigo ao Olimpo.

Também ele está amadurecido; curado pelo sacrifício da princesa, nada mais precisa fazer às escusas de sua mãe.

E o herói vai pedir autorização a Zeus para celebrar seu casamento.
A divindade suprema reconhece o esforço da alma evoluída e transformada, e mostra a Afrodite o descabido de seu ciúme, pois Psique agora é transcendente, imortalizou-se em sua grande iniciação, tornando-se digna do banquete dos deuses.

Eros, como todo herói, não foge à sua sina; sempre traz consigo uma alma apaixonada.

Imagem:
Eros e Psiqué de Antonio Canova - Museu do Louvre - Paris

9 comentários:

Ana Cristina disse...

Olá Vic, boa tarde, mais uma vez agradeço sua visita ao meu blog. tenho vindo com frequência dar uma olhadinha nos teus blogs, pois gosto muito dos teus posts, bastante interessantes. É fantástica a interação que a blogosfera nos proporciona, não?
Um abraço e tenha uma boa semana.
Cristina

Nina... _〆(゚▽゚*) disse...

Ola, Vic!Como vai?(*゚▽゚)ノ
Vim lhe desejar um excelente fim de semana!
Um Big abraco da Nina!
(*^-')/~☆Bye-Bye♪

André L. Soares disse...

Vic, boa tarde!


Vi seus 4 blogs no sistema blogblogs. Gostei muito deles e venho agora saber se seus blogs estão abertos à parceria via troca de links.

Caso estejam, os meus blogs (todos com PR5 e com registro no Technorati e no Blogblogs) são:

http://poemasdeandreluis.blogspot.com/ [ Gritos Verticais - que é o meu blog principal]
http://poeticaheretica.blogspot.com/ [ Pó(ética Herética) ]
http://gritosverticaisdanaturezapoetica.blogspot.com/ [ Raiz de Cem ]
http://sonsdesonetos.blogspot.com/ [ Sons de Sonetos ]
http://prosaepoesia.wordpress.com/ [ O Poema Nosso de Cada Dia ]

Há, ainda, os blogs da Rita Costa, todos com PR4, que são:

http://almadepoesia2007.blogspot.com/ [ Alma de Poesia ]
http://naturezapoetica2007.blogspot.com/ [ Natureza Poética]

A parceria pode ser com todos ou só com algum(ns). Isso fica ao seu critério. Fico aguardando.

Grande abraço!


André L. Soares.
direitos.autorais2006@gmail.com
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Sonia Regly disse...

Amei essa postagem.Vim te convidar a conhecer o Compartilhando as Letras.Sua visita muito me honrará.Abraços.

Sonia Regly disse...

Achei interessante esse post sobre Eros e Psiquê. Se vc me permitir, gostaria de publicá-lo com os devidos créditos lá no meu Compartilhando as Letras. Colocarei um link indicando as visitas para o seu Blog. Aguardo sua resposta. Obrigada.

Anônimo disse...

I am reading this article second time today, you have to be more careful with content leakers. If I will fount it again I will send you a link

Anônimo disse...

You have really great taste on catch article titles, even when you are not interested in this topic you push to read it

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

incrivel ,adorei a historia sou louca por mitologia.ahistoria de psiquie e linda ,eu ja tinha lido alg umas versões mas essa e linda demais beijos e parabens.....